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DESENVOLVIMENTO SEXUAL DO ADOLESCENTE



ADOLESCENTE -  SEXUALIDADE - AFETIVIDADE
Alberto Scofano Mainieri, Phd
Médico pediatra e Hebiatra
Prof.  Depto. De Pediatria e Puericultura
Faculdade de Medicina - UFRGS

Contextualização
Desde que o mundo é mundo, a sexualidade é parte essencial da vida do homem.
Tem ocupado lugar na mitologia, na filosofia, nas artes, em toda forma de representação e conhecimento humano, inclusive, mais recentemente nas Ciências

O que entendemos por sexualidade
Em psicanálise, os impulsos fisiológicos e psicológicos, cuja satisfação proporciona prazer, experimentados, consciente ou inconscientemente até pelos lactentes e pelas crianças.
Em psicologia, conjunto das diversas modalidades de satisfação sexual.
Freud introduz o conceito de libido separando a função sexual da estrita finalidade procriativa.

Na base da formação da sexualidade de um indivíduo está o afeto.
Sua expressão e formação estão diretamente ligadas ao desenvolvimento de sua capacidade de:
se amar
ser amado
E por fim, poder amar o outro.

O Início do processo
É durante a infância que aprendemos a
se amar
ser amado
E por fim, poder amar o outro.
Os pais, ao demonstrar de diversas formas como amam seus filhos, solidificam neles a clara sensação e percepção de que são amados. Esta demonstração de amor leva os filhos a acreditarem nos seus potencias e qualidades solidificando a percepção que são bons o suficiente para serem amados. Por conseqüência se sentirão capacitados para aceitar que outras pessoas também os amem e por fim que tem capacidade de amar os outros.
Os contatos de uma mãe com seu filho despertam nele as primeiras vivências de prazer. Essas experiências, que podem ser, por exemplo, de amor e carinho; de rejeição e agressividade, não são essencialmente biológicas, mas se constituem no acervo psíquico do indivíduo, são os embriões da vida mental no bebê. A sexualidade infantil se desenvolve desde o nascimento e segue se manifestando de forma diferente em cada momento da infância. É nessa história que o sujeito se forma e cresce constituindo características que se expressam em suas fantasias e práticas sexuais. Assim, do mesmo modo que a inteligência, a sexualidade é construída a partir das possibilidades individuais e de sua interação com o meio e a cultura.

Adolescência
Um longo e curto caminho da infância à vida adulta
Tudo ocorrendo concomitante e interativamente.


Fatores Envolvidos

Neurológicos
No momento em que estamos tentando entender as atitudes e comportamentos dos adolescentes, devemos considerar em que estágio ou grau de desenvolvimento neurológico ele se encontra. A maturação completa da nossa capacidade de entender, julgar e encontrar soluções e caminhos adequados só é atingida próximo aos 15 anos de idade, na maioria das pessoas.
A área do cérebro responsável pelo nosso pensamento crítico (juízo crítico) é o lobo frontal. Esta área é a última que atinge sua maturação completa, que ocorre por volta do 15 anos. Sendo assim, antes desta completa maturação, nossos jovens ainda dependerão de adultos responsáveis para definirem o que pode ou não pode ser feito.

Físicos
Enquanto as mudanças emocionais podem ser influenciadas (antecipadas ou retardadas) pelo ambiente externo, os aspectos físicos são totalmente independentes. São todas as mudanças no corpo que impulsionarão a criança, queira ela ou não, para a adolescência e por fim para a vida adulta. As sensações que surgirão não estarão sobre o controle da família, da sociedade nem a mercê dos tabus e exigências do grupo ou do meio. Da mesma forma, as modificações físicas não seguirão o desejo do adolescente nem os perfis estabelecidos como padrões do belo ou satisfatório.
Sendo assim a criança deverá ir se adaptando ao seu novo corpo e aprendendo a conviver e a lidar com ele. Tanto poderá se sentir satisfeito como poderá não aceitar as mudanças e formas que estão se delineando. Nesta etapa, quanto mais informações tiver sobre o normal e sobre as variabilidades entre cada um, mais poderá se sentir normal e satisfeito.

Familiares
Na prática, toda família realiza a educação sexual de suas crianças e jovens, mesmo aquelas que nunca falam abertamente sobre isso. O comportamento dos pais entre si, a relação com os filhos, os tipos de “cuidados” recomendados, as expressões, gestos e proibições que estabelecem, são carregados dos valores associados à sexualidade que a criança e o adolescente apreendem.
Por muito tempo a família desempenhou o principal papel no processo de educação de seus filhos e, embora continue exercendo grande influência na formação moral de crianças e adolescentes, a família vem perdendo bastante sua função de principal educadora dos filhos.
Primordialmente, a família é uma agência de controle social sobre seus membros. Nas últimas décadas a estrutura familiar vem sofrendo grandes transformações, em decorrência das mudanças sociais e culturais ocorridas, na busca de adequar-se à nova realidade social globalizante, onde o acesso às informações tem sido alvo de muitos conflitos de gerações, muito embora a contestação de valores e normas sociais pelas gerações mais jovens seja uma característica geral do indivíduo jovem.     
Em relação à educação sexual, o mais adequado é que seja começado no lar, antes mesmo que a criança ingresse na escola, durante o seu desenvolvimento, paralelamente aos ensinamentos dos demais aspectos da vida. Na adolescência, por conta de todas as mudanças psicossociais e físicas e o interesse pela sexualidade, estas orientações precisam ser mais aprimoradas.
Na realidade, o que se observa na maioria das famílias é o surgimento da preocupação com a sexualidade quando a criança está chegando à puberdade ou já a atingiu. A educação sexual, deve ser conscientizada muito antes que os filhos cheguem à adolescência. Na educação sexual dos filhos não são importantes somente as respostas adequadas às perguntas, mas especialmente sabermos acompanhar a evolução da sexualidade, desde a mais tenra idade, procurando compreender as diferentes fases e, principalmente, não interferir com atitudes impróprias.
Como em todos os aspectos da vida, a criança aprende mais observando e copiando as atitudes dos pais ou figuras substitutas do que por informações tiradas de manuais ilustrados ou através de frases preparadas, obtidas em textos científicos. A adequada educação sexual dos filhos depende fundamentalmente do grau de superação, por parte dos pais, dos tabus que cercam o comportamento sexual humano e da falta de conhecimento - que a maioria dos adultos têm - de muitos aspectos de sua própria sexualidade.
Como célula básica, a família tem influência na aprendizagem social e no desenvolvimento da personalidade. É onde se recebe as primeiras informações e mensagens verbais e não verbais na área da sexualidade.
Cabe a família imprimir o seu estilo, solidificar os seus costumes e princípios de forma que a criança cresça sobre este enfoque. Isto lhe conferirá uma base mais sólida que ele usará e se baseará, mesmo que venha a mudar ou adaptar ao seu próprio estilo na adolescência.

A Cultura e meio social
Desde os primórdios da humanidade, a sexualidade é parte essencial da vida do homem. Também, desde o seu surgimento, o ser humano se depara com a necessidade de conciliar a si próprio com o mundo real (social, cultural, econômico e familiar) em que está inserido. É na busca de administrar esta dupla polaridade que surgirão os símbolos, os conceitos e preconceitos as normas e mitos.
A sexualidade é o assunto central nos mais diversos tratados, atuais e milenares, que buscam conhecer e entender a origem e o comportamento humano. Ela sempre foi vivida e pensada de diversos modos, dependendo da cultura, e pode ser estudada sob vários ângulos.
A civilização babilônica (nosso ancestral cultural mais antigo) cultivava o amor sensual e se orgulhava disso. Já, na Grécia antiga, a pederastia (relação entre homens maduros e jovens) ocupava lugar de destaque na sociedade e tinha a função de transformar o jovem em cidadão da Pólis. Denominada de homofilia por alguns estudiosos, essas relações evoluíam para a amizade (philia) entre os mais velhos e os jovens adultos e não têm o mesmo sentido de homossexualidade como a entendemos hoje.
Segundo historiadores, foi o Cristianismo que introduziu a noção de “pecado da carne”, embora desde a antigüidade já houvesse a exortação ao domínio de si e dos prazeres, como entre os espartanos. Ainda hoje é possível encontrar na sexualidade e nas práticas sexuais sinais legados pelo cristianismo para a história da civilização ocidental, associados a interditos (proibições), como a noção de culpa.
Os séculos XII e XIII foram marcados pela moral sexual do mundo cristão porque, nessa época, as normas se fixaram em três direções: o pecado; a separação entre clérigos e leigos; e o casamento. O matrimônio surge como uma concessão, um remédio para tratar o ardor do desejo sexual. Disse o apóstolo Paulo aos coríntios: “É bom para o homem abster-se da mulher. Mas, por causa das fornicações, que cada homem tenha sua mulher, e, cada mulher, seu marido.” (I Cor, VII, 1-2) Toda a Idade Média é marcada pela noção do pecado. A “Era Vitoriana”, no século XIX, durante o reinado da Rainha Vitória na Inglaterra, ficou bastante conhecida pela rígida repressão das práticas sexuais, acompanhadas de intensa valorização da vida familiar.
Já na segunda metade do século XX, assistimos nas sociedades ocidentais a uma verdadeira revolução nas relações homem/mulher e no papel social feminino. A introdução da pílula anticoncepcional no mercado, na década de 60, propicia a separação entre ato sexual e procriação, trazendo importantes transformações, como a liberação da mulher em relação à gravidez indesejada e a possibilidade da conquista de maior igualdade em relação ao homem.
Os tabus têm origem em diferentes épocas e culturas: o incesto, por exemplo, tem ligação com a melhoria biológica da espécie; já a exigência de preservação da virgindade feminina antes do casamento aparece na sociedade ocidental em um momento de mudança político-econômica, em que a propriedade privada ocupa lugar de destaque no campo social. A transmissão de bens materiais e de propriedades deveria se dar unicamente aos descendentes legítimos (a virgindade da mulher, ao se casar, e a fidelidade ao marido seriam a garantia disso).
Sendo assim é fácil entender como a cultura irá conduzir a forma de se vivenciar a sexualidade. Em cada época ocorrem novas adaptações

Pessoal
Social
A mídia

O papel ou influência que a intensa exposição da sexualidade pela Mídia pode ter no comportamento das crianças, vem sendo alvo constante de discussões pela possibilidade de estar abreviando e erotizando a infância, com o surgimento precoce de manifestações de sexualidade.

Na atualidade, a divulgação repetitiva pela mídia de corpos magros, longilíneos, esbeltos, de pele branca, cabelos loiros e olhos azuis, associada ao consumo de produtos, de forma latente ou explícita, promove uma idealização desse tipo físico corporal, relacionando-o aos ideais de beleza, saúde, felicidade e ao poder de atração sexual.

Esses modelos - cujo padrão estético não corresponde ao tipo físico mais freqüente em nosso país - podem contribuir para a construção de uma auto-imagem negativa para aqueles que não se enquadram nesse padrão veiculado pelas propagandas. As crianças e os jovens podem se sentir “feios” e, consequentemente, diminuídos nas possibilidades de auto-aceitação e auto-cuidado, quesitos tão necessários para a busca de prazer nas relações afetivas.

Essa insatisfação tem como conseqüência, por exemplo, o aumento de distúrbios alimentares (como obesidade, anorexia, bulimia) entre mulheres adolescentes em vários países do mundo. Ou, ainda, o incrível recorde brasileiro de cirurgias plásticas estéticas. Sabemos que são padrões culturais que estabelecem o que se considera belo ou não, e isso varia em diferentes momentos da história e em diferentes culturas. Já houve época em que as “carnes fartas” das mulheres é que eram valorizadas esteticamente.

A força dos meios de comunicação na formação de hábitos e conceitos no campo sexual pode ser avaliada pelas seguintes situações:

Em apenas quatro segundos, um site de busca na Internet apontou três milhões de links a partir da palavra "sexo", 294 mil a partir da palavra "pornô" e 140 mil a partir da palavra "erótico".
As músicas de maior sucessos entre jovens expressões como "rala a xeca", "este pinto não é mole, é safado" e "me passaram a mão na bunda e ainda não comi ninguém".
Numa propaganda de carro, um garoto comenta com o pai, em tom malicioso, sobre o "air bag" da vizinha; em outra, a gota de cerveja desce redonda pelo corpo da loura e uns desenhos animados pulam de bunda em bunda em uma praia brasileira em alto clima de verão e sensualidade.
Em uma recente novela de grande audiência, na busca de ganhar dinheiro, uma jovem personagem é estimulada pela mãe a pedir para uma amiga roubar camisinhas usadas do lixo do banheiro de um rico advogado para fazer inseminação artificial. Tem o filho, faz o exame de DNA e ganha direito de pensão na Justiça. Termina feliz, com um bebê no colo e a procura de um outro "amor bem-sucedido".

No entanto, a mesma mídia do apelo e da banalização do sexo mostra sua outra face: também informa, até educa.

Um dos jornais lidos traz caderno especial sobre sexualidade na adolescência, abordando o tema de forma clara, equilibrada e responsável.
Na TV, em um dos canais abertos, um programa de debates mostra as últimas estatísticas do HIV e abre espaço para discussão com especialistas.
No intervalo do esperado último capítulo da novela anteriormente citada, a maior emissora do Brasil exibe vinheta do Ministério da Saúde: não vacile, use camisinha.

A contradição é evidente. De um lado, o sexo banalizado, a mulher objeto, o prazer imediato, o sensacionalismo e a superexposição do corpo. De outro, o sexo natural, bonito, que pode ser associado à prevenção, ao amor e ao carinho. Para o jornalista e antropólogo Geraldinho Vieira, que tem se destacado em vários países por seu trabalho pioneiro em jornalismo social na área da infância e adolescência, a mídia tende a setorizar-se diante desta contradição. "Há a mídia de entretenimento, que dá espaço à apelação e aos reality shows e, por outro lado, há a jornalística que tem procurado trabalhar o tema de forma cada vez mais responsável", afirma. A jornalista Patu Antunes, da ANDI (Agência de Notícias dos Direitos da Infância), concorda. A agência faz análises de todas matérias publicadas sobre crianças e adolescentes por 48 jornais e dez revistas de maior tiragem no Brasil

"Ou a imprensa erotiza e pressiona o adolescente para que baseie a sua vida sexual nos modelos da publicidade que excita, ou defende um discurso professoral de que os jovens devem adotar um estilo de vida saudável, cuidadoso e responsável", defende Patu. Para Vieira, é preciso encontrar um meio termo.

"A mídia não deve ser excessivamente erótica, nem excessivamente neurótica. Deve falar de sexo com a mesma naturalidade que se fala da boca ou da orelha, apenas atenta para não banalizar. O problema do tom professoral é que ele sacraliza o sexo. Pode-se gerar uma frustração enorme em um adolescente, que fica cheio de expectativas antes da primeira transa e, depois, descobre que o sexo é uma coisa natural, quase como um espirro", afirma

Assim como um bate-papo com o amigo confidente, a mídia é a terceira fonte de informação esclarecedora sobre sexualidade (46% das citações), conforme mostra a pesquisa "A Voz dos Adolescentes", lançada no início de agosto pelo Unicef e pela empresa de pesquisa Fator OM. Os 5.280 jovens entrevistados em todo o Brasil creditam à família (54%) o primeiro lugar e à escola o segundo.

Comentando as aparentes contradições da mídia que por vezes banaliza e erotiza excessivamente a sexualidade e em outros momentos a trata de forma séria e natural, o jornalista Geraldinho Vieira diz acreditar que a sensualidade faz parte de nossa cultura, sendo por isso saudável brincar ou trabalhar a questão de forma lúdica. "O grande problema é exagerar na brincadeira", explica.

 

A grande questão é definir qual o papel da escola nestas incessantes modificações culturais e sociais a que o indivíduo é exposto. Como responsável pela formação não só cultural mas global do indivíduo, a escola se vê num grande dilema já que é formada por profissionais oriundos desta mesma sociedade relativamente perdida nas questões estruturais e conceituais.


Como evolui o processo de adolescer
Fase inicial
         Corresponde ao período em que o jovem passa a perceber que não só seu corpo mas seus pensamentos e sentimentos estão mudando. Passa a perceber que já não é a mesma criança de antes e começa a questionar o meio e a desejar uma autonomia maior do que a já adquirida. Dá-se conta de que pode e deseja ser adulto. Seu corpo demonstra as primeiras modificações típicas desta fase e aos poucos vai crescendo e adquirindo a forma de um adulto. É nesta fase que presenciará a quase totalidade das modificações físicas e deverá se acostumar e aceitar todas elas. Referindo-se aos aspectos ligados a independência percebe-se um menor interesse no convívio com os pais; intensa amizade com adolescentes do mesmo sexo; crescente necessidade de privacidade e uma postura de questionamentos visando testar a autoridade. Nos aspectos ligados definição da identidade observa-se um aumento das habilidades cognitivas; falta de controle dos impulsos; indefinição vocacional e que passam por uma época de turbulência em decorrência da necessidade de definições. No aspecto da imagem observa-se uma forte preocupação com as mudanças puberais que proporcionam dúvidas com relação a sua aparência.

Fase intermediária ou média
Nesta fase o corpo já atingiu características de adulto e nada mais resta senão aceitá-lo e fazê-lo ser aceito. Não há mais como voltar a ser criança e agora a tônica é realmente assumir o objetivo de ser adulto e ser aceito como tal. No aspecto da independência observa-se intensos conflitos com os pais pois agora é hora de demonstrar claramente que já não querem mais seguir ordens e sim determinar seus próprios passos; aumentam a experimentação sexual visando mais a sua satisfação do que um equilíbrio entre o seu prazer e o do(a) companheiro(a); período de grandes inter relaçôes com grupos de iguais pois eles fornecerão o apoio necessário para esta nova etapa no qual não se deve solicitar o apoio da família. No aspecto da  identidade observa-se que agem de forma similar ao grupo; demonstram um sentimento de invulnerabilidade com conduta onipotente geradora de riscos. Quanto a imagem demonstram preocupação com a aparência com claro desejo de possuir corpo mais atrativo e tem um fascínio pela moda  vigente.

Fase final
    A adolescência vai chegando ao seu final visto que seu corpo já é de adulto e já o aceita como ele é e percebe que é aceito pelo meio. Seus pais e a sociedade já o tratam como adulto aceitando suas opiniões e decisões. Sexualmente já estabeleceu sua postura e sente-se mais seguro neste campo. Busca relações afetivas mais estáveis onde a satisfação de ambos é importante. É um momento de maior tranqüilidade e de pensar no futuro que agora lhe aguarda. Dentro deste prisma os aspectos ligados a sua independência serão expressos por uma reaproximação dos pais e de seus valores; preferência pelas relações íntimas onde o grupo de iguais torna-se menos importante. Os aspectos da identidade serão expressos pelo desenvolvimento de um sistema de valores e busca de uma definição profissional demonstrando firmeza em sua identidade pessoal e social capaz de se impor. No campo da imagem demonstram aceitação de sua imagem corporal.

Como evolui o processo de adolescer
Fase inicial
         Corresponde ao período em que o jovem passa a perceber que não só seu corpo mas seus pensamentos e sentimentos estão mudando. Passa a perceber que já não é a mesma criança de antes e começa a questionar o meio e a desejar uma autonomia maior do que a já adquirida. Dá-se conta de que pode e deseja ser adulto. Seu corpo demonstra as primeiras modificações típicas desta fase e aos poucos vai crescendo e adquirindo a forma de um adulto. É nesta fase que presenciará a quase totalidade das modificações físicas e deverá se acostumar e aceitar todas elas. Referindo-se aos aspectos ligados a independência percebe-se um menor interesse no convívio com os pais; intensa amizade com adolescentes do mesmo sexo; crescente necessidade de privacidade e uma postura de questionamentos visando testar a autoridade. Nos aspectos ligados definição da identidade observa-se um aumento das habilidades cognitivas; falta de controle dos impulsos; indefinição vocacional e que passam por uma época de turbulência em decorrência da necessidade de definições. No aspecto da imagem observa-se uma forte preocupação com as mudanças puberais que proporcionam dúvidas com relação a sua aparência.

Fase intermediária ou média
Nesta fase o corpo já atingiu características de adulto e nada mais resta senão aceitá-lo e fazê-lo ser aceito. Não há mais como voltar a ser criança e agora a tônica é realmente assumir o objetivo de ser adulto e ser aceito como tal. No aspecto da independência observa-se intensos conflitos com os pais pois agora é hora de demonstrar claramente que já não querem mais seguir ordens e sim determinar seus próprios passos; aumentam a experimentação sexual visando mais a sua satisfação do que um equilíbrio entre o seu prazer e o do(a) companheiro(a); período de grandes inter relaçôes com grupos de iguais pois eles fornecerão o apoio necessário para esta nova etapa no qual não se deve solicitar o apoio da família. No aspecto da  identidade observa-se que agem de forma similar ao grupo; demonstram um sentimento de invulnerabilidade com conduta onipotente geradora de riscos. Quanto a imagem demonstram preocupação com a aparência com claro desejo de possuir corpo mais atrativo e tem um fascínio pela moda  vigente.

Fase final
    A adolescência vai chegando ao seu final visto que seu corpo já é de adulto e já o aceita como ele é e percebe que é aceito pelo meio. Seus pais e a sociedade já o tratam como adulto aceitando suas opiniões e decisões. Sexualmente já estabeleceu sua postura e sente-se mais seguro neste campo. Busca relações afetivas mais estáveis onde a satisfação de ambos é importante. É um momento de maior tranqüilidade e de pensar no futuro que agora lhe aguarda. Dentro deste prisma os aspectos ligados a sua independência serão expressos por uma reaproximação dos pais e de seus valores; preferência pelas relações íntimas onde o grupo de iguais torna-se menos importante. Os aspectos da identidade serão expressos pelo desenvolvimento de um sistema de valores e busca de uma definição profissional demonstrando firmeza em sua identidade pessoal e social capaz de se impor. No campo da imagem demonstram aceitação de sua imagem corporal.

Adolescência Inicial
Percepção de que:  
pode                  -            irá         -            quer crescer
X
Medo do desconhecido e das perdas
=
             Isolamento -   Dúvidas - Comportamento oscilante

Menor interesse no convívio com os pais
Intensa amizade com adolescentes do mesmo sexo
Necessidade de privacidade
Testam autoridade dos pais
Aumentam as habilidades cognitivas
Época de turbulência
Falta de controle dos impulsos
Indefinição vocacional
Preocupações com mudanças puberais
Dúvidas c/relação a sua aparência
Autoerotismo
Intensa amizade com jovens do mesmo sexo


Aspectos Sexuais
Necessidade de privacidade
Falta de controle dos impulsos
Intensos efeitos hormonais
Preocupação com as mudanças físicas
Dúvida com relação a aparência


Adolescência Média
Corpo quase adulto   - Onipotência
Elevada intelectualização
Intenso estímulo sexual
X
Necessidade de limites; insegurança
fragilidades familiares e sociais
=
Conflitos familiares - Condutas de risco - Insegurança


Intensos conflitos com os pais
Aumentam a experimentação sexual
Período de grandes inter-relações com grupos de iguais
Agem de forma similar ao grupo
Sentimento de invulnerabilidade
Conduta Onipotente geradora de riscos
Preocupação com a aparência
Desejo de possuir corpo mais atrativo
Fascínio pela moda vigente
Ações sempre em grupo
Aumenta a experimentação sexual
Individualismo


Aspectos Sexuais
Aumenta a experimentação sexual
Objetivo focado nas descobertas a dois
Foco exclusivo nas suas necessidades
Necessidade de auto-afirmação
Preocupação com a aparência


Adolescência Tardia
Percepção de seus potenciais e limites
Aceitação e apoio familiar e social
Ações voltados para o seu futuro
Reaproximação dos pais e de seus valores
Preferência pelas relações íntimas
Grupo de iguais torna-se menos importante
Desenvolvimento de um sistema de valores
Definição profissional
Identidade pessoal e social capaz de se impor
Aceitação de sua imagem corporal
Preferência pelas relações íntimas
Valorização do(a) companheiro(a)


Mudanças Sociais
Globalização do conhecimento
Mistura de culturas.
Mudanças nas teorias sobre comportamento e manejo
Liberdade sexual
A mídia domina a cultura
O corpo vira produto de consumo

Repercussões Sobre a Sexualidade
Famílias sem um padrão de conduta própria
Despreparo dos adultos para lidar com o assunto.
Prevalece a opinião do grupo ou meio
Erotização precoce
Falta orientação e informação adequadas
Iniciação precoce
Falta de limites

Conseqüências Sobre a Sexualidade
Maior exposição aos perigos
Despreparo para vivenciar a sexualidade
Exposição às DSTs e AIDS
Aumento da incidência de frustrações
Dificuldades na ereção e no orgasmo
Banalização do sexo
Gestação indesejada

                             
                                                     
Vivências
A vivência da sexualidade na adolescência é como um caminho desconhecido. É necessário que o jovem seja orientado e tenha liberdade para entender estas vivências, pois o desenvolvimento da sexualidade contribui para a formação da personalidade e para a expressão desta sexualidade quando for adulto.
Experiências frustrantes podem reprimir novas investidas ou levar a posturas negativas frente à sexualidade.

Os padrões de comportamento sexual são normas de comportamento determinado social e culturalmente por influências particulares (leis, crenças, ensinamento).
A vivência da sexualidade na adolescência é como um caminho desconhecido. É necessário que o jovem seja orientado e tenha liberdade para entender estas vivências pois o desenvolvimento da sexualidade contribui para a formação da personalidade e para a expressão desta sexualidade quando for adulto. Experiências frustrantes podem reprimir novas investidas ou levar a posturas negativas frente à sexualidade. A opção da iniciação sexual após casamento não é comum nos nossos dias e esta conduta pode indicar uma dificuldade de conviver com experiências sexuais, consideradas como problemas em decorrência das vivências anteriores. Outra atitude é o ato sexual sem relacionamento afetivo, desvinculado do sentimento por atração física, comum na adolescência. A visão mais romântica da vivência e a necessidade de integrar sexo e afetividade parecem uma forma mais completa de vivenciar estas experiências.
As vivências da sexualidade têm suas origens na infância, no contato com os pais pessoas da família, brincadeiras, sensações de prazer, onde surge a curiosidade que impulsiona as primeiras descobertas sobre sexo, podendo gerar dúvidas e conflitos.
A dificuldade de esclarecer dúvidas pelos pais faz com que os colegas de escola sejam a primeira fonte de informação. Nesta fase surgem as fantasias sexuais. Disso decorre a masturbação que é muito reprimida pelos adultos e que pode ser  a primeira forma de restrição da sexualidade adulta.
A experiência psicológica individual e a formação do papel sexual (conduta social) são elementos necessários à formação da identidade. Do ponto de vista psíquico, o adolescente se identifica com o sexo determinado pela sua estrutura corporal. Aí ele utiliza as informações que recebeu junto aos seus recursos físicos, adaptando-se às diversas situações que se envolve. Para o desenvolvimento deste papel, ele precisa que outros também desempenhem os seus papéis. O contato favorece os vínculos afetivos e experiências. O namoro vai ser valorizado de acordo com experiências anteriores. Nesta etapa de valorização das trocas afetivas, muitos adolescentes podem apresentar dificuldades, principalmente de estabelecer vínculos fortes em decorrência de vivências anteriores.
A troca afetiva
Na adolescência, o desejo e o medo de se envolver provocam uma tempestade ambivalente. Ao mesmo tempo que se aproxima para o namoro surge a dificuldade em separar-se dos colegas. Nesta fase ambos os sexos experimentam o processo de sedução, quando pode haver a  “entrega” que corresponde à comunicação de conhecimento de si mesmo e do outro.
A escolha da pessoa
A identificação com outra pessoa determina o interesse pelo sexo que surge em decorrência de curiosidade, paixão e atração. Para escolher precisa se envolver. É nesse momento que as experiências anteriores atuam facilitando ou impedindo o envolvimento total ou parcial. Parcial, apenas com envolvimento sexual e total com o envolvimento afetivo.
O momento do ato sexual depende da escolha da pessoa com quem se envolver e na adolescência isto é vivenciado com muita expectativa.
A relação sexual na adolescência pode reorganizar suas experiências anteriores, embora seja um momento de muita insegurança para eles, principalmente quanto aos aspectos afetivos. O significado do ato será individual de acordo com suas expectativas, podendo causar grande estímulo e satisfação até frustração. A satisfação pode propiciar uma base para a continuidade da sua vivência e a frustração pode reprimir a vivência plena desta experiência nesta e em outras etapas da vida.
             Apesar de aparentemente não haver hoje em dia uma grande diferença de conduta entre ambos os sexos, os sentimentos e desejos costumam ter características distintas.
             Para os rapazes, os impulsos sexuais são, inicialmente, bastante separados da noção de amor. O desejo sexual é claramente localizado nos órgãos genitais; é urgente e costuma exigir rápido alívio. Embora um jovem, quando excitado, prefira uma companheira, ele pode achar natural satisfazer-se através da masturbação. As fantasias eróticas fixam-se em atributos físicos específicos como seios, pernas e genitais.
             Para as moças o amor tem prioridade sobre a genitalidade. Apesar de uma posição mais agressiva e atuante das meninas de hoje, poucas experimentam o desejo de forma semelhante aos rapazes. A maioria das adolescentes costuma ter excitações difusas e não diferenciadas de outros sentimentos. São fantasias de ligações românticas com entrega, impulsos maternais modificações súbitas no estado de humor, compaixão ou prazer especial ao serem penteadas ou ao terem as costas esfregadas. Nem sempre o orgasmo é o objetivo essencial. Normalmente nas meninas a excitação sexual específica deve ser despertada por estimulação direta do corpo, particularmente as zonas erógenas.

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